Saúde mental: até quem entende, adoece
Nem sempre o sofrimento avisa. Às vezes, ele escapa por onde menos se espera. Foi assim naquela manhã na faculdade: o burburinho nos corredores, os olhares desconfiados, os julgamentos disfarçados de perguntas. Uma aluna de Psicologia havia sofrido um surto, e o espanto se espalhava: “Logo ela?”
A partir daquele instante, comecei a refletir sobre o que temos exigido de nós mesmos e dos outros. Sobre como, até mesmo entre os que estudam a mente, o cuidado com a própria saúde mental pode ser negligenciado , não por descuido, mas por esgotamento.
Na saída da faculdade, percebi um burburinho.
Uma aluna do curso de Psicologia havia sofrido um surto. Entre os alunos de outros cursos, ouviam-se fofocas e julgamentos: "Como uma pessoa que estuda emoções, sentimentos, o psiquismo, tem um surto?"
"Por que ela não usou o que aprendeu nesses anos de estudo a seu favor?"
Eram muitas perguntas sem respostas.
A verdade é que o ser humano é complexo. Conhecer um tema não significa ter domínio sobre as fatalidades da vida. Se fosse assim, médicos não adoeceriam, psicólogos não sofreriam, analistas não teriam angústias.
Naquela manhã, vieram-me alguns pensamentos. Eu conhecia aquela moça de vista. Estava sempre na biblioteca, cercada de livros. Já a havia visto no TikTok, no Instagram. Parecia estar em todos os lugares.
Mas como se consegue estar em todos os lugares? Mesmo na era digital, com todas as facilidades virtuais, a correria do dia a dia , o trabalho, os estudos, os compromissos , impõe um peso. Vamos acumulando dívidas com a nossa saúde física e mental.
Vivemos numa lógica imediatista. Se não aparecemos de alguma forma, não existimos. A invisibilidade existencial tem sido cada vez mais banalizada. E, sem o olhar do Outro, nos encolhemos. Isso nos leva a buscar gratificações constantes para validar a existência. O ser humano precisa de concretude para existir.
E, sim, mesmo no meio psi, a saúde mental é deixada de lado.
Não é culpa de Laura obedecer a esse imperativo do gozo.
O sistema nos impele, mesmo quando não queremos.
Laura não falhou.
Ela apenas escancarou, ali no meio do campus, a ferida que tantos carregam em silêncio: o peso de existir em um mundo que exige demais e acolhe de menos. Sua dor não é sinal de fraqueza, mas um lembrete de que cuidar da saúde mental é uma urgência , mesmo para quem dedica a vida a compreender a dor do outro.
🤍 Se esse texto tocou você, comente, compartilhe , pode ser a mão estendida que alguém precisa. E se você não estiver bem, procure ajuda. Falar é um passo importante para o cuidado com a saúde mental.
Os personagens e nomes mencionados neste conto são fictícios e qualquer semelhança com pessoas reais é mera coincidência.
Texto de autoria de Érica Silva. Todos os direitos reservados.

Comentários
Postar um comentário