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Mostrando postagens de maio, 2025

Lugares (In)Habitáveis: Família, Silêncio e Subjetividade

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     imagem pixbay  O Não-Dito e o Desejo: Uma Leitura Psicanalítica de Mundos de uma Noite Só A bola da vez para um ensaio reflexivo é o livro Mundos de uma Noite Só , romance de estreia de Renata Belmonte, lançado pela Faria e Silva Edições em 2020. O que me chamou a atenção nessa obra multifacetada foram as duas narrativas entrelaçadas: uma situada nos anos 2000, centrada em uma jovem que reflete sobre sua vida e suas complexas relações familiares, e outra, intitulada Uma valsa para o esquecimento , escrita por sua mãe, que narra a história da família paterna desde a década de 1940. É essa dinâmica familiar que desejo explorar sob o viés psicanalítico, e, claro, sem a pretensão de esgotar o tema. A proposta aqui é refletir sobre esse terreno das famílias quebradas, reconfiguradas e afetivamente densas, que escapam à norma, mas não necessariamente se encaixam em novos modelos. Famílias atravessadas pelo silêncio, pelas ausências, e pelas tentativas, muitas vezes ...

Saúde mental: até quem entende, adoece

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 Nem sempre o sofrimento avisa. Às vezes, ele escapa por onde menos se espera. Foi assim naquela manhã na faculdade: o burburinho nos corredores, os olhares desconfiados, os julgamentos disfarçados de perguntas. Uma aluna de Psicologia havia sofrido um surto, e o espanto se espalhava: “Logo ela?” A partir daquele instante, comecei a refletir sobre o que temos exigido de nós mesmos e dos outros. Sobre como, até mesmo entre os que estudam a mente, o cuidado com a própria saúde mental pode ser negligenciado , não por descuido, mas por esgotamento.             Imagem: Anna Shvets / Pexels Na saída da faculdade, percebi um burburinho. Uma aluna do curso de Psicologia havia sofrido um surto. Entre os alunos de outros cursos, ouviam-se fofocas e julgamentos: "Como uma pessoa que estuda emoções, sentimentos, o psiquismo, tem um surto?" "Por que ela não usou o que aprendeu nesses anos de estudo a seu favor?" Eram muitas perguntas sem respostas. A verdade é...

Vivo ou Morro?

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        Imagem via Pixabay Este é um conto sobre Virgínia, uma adolescente que enfrenta o silêncio das dores invisíveis. A história traz reflexões sobre solidão, julgamento e a urgência da escuta Virgínia está fazendo quinze anos. Em suas fantasias de pré-adolescente, sonhava com um bolo rosa, vestido de tule da mesma cor, fitas de cetim enlaçadas nas costas, cercada por pessoas queridas, amigos dançando a noite toda, drinks, brincadeiras, a festa ideal para uma garota imperfeita. Era assim que ela se enxergava na vida que levava. Sabia que não existiam pessoas perfeitas, mas nada parecia se encaixar para ela. Não conseguia fazer amigos na escola. Sofria bullying por ser quieta demais. Em casa, também não agradava: diziam que era espaçosa, que ocupava todos os lugares com aquele olhar triste, e isso os incomodava. Fora da escola, não conseguia se enturmar. Tinha vergonha da própria existência. O único lugar confortável era o mundo dos sonhos. Mas até ele estava se ...