O indizível em ato: quando o silêncio do adolescente grita


     Além do silêncio: o sentido por trás do ato

       imagem pixbay 

Nem todo silêncio é vazio; às vezes, ele carrega em si um grito que ainda busca ser ouvido e compreendido


Falar sobre suicídio na adolescência nunca é simples. É um tema que mexe, que incomoda, que nos confronta com aquilo que muitas vezes preferimos não ver. Mas é justamente por isso que precisamos falar ,ou, pelo menos, tentar escutar o que não está sendo dito.

A adolescência é uma fase intensa. O corpo muda, a mente se agita, os sentimentos transbordam. É quando o jovem começa a se perguntar: quem sou eu? o que quero? onde pertenço? Nesse processo, nem sempre ele encontra palavras para expressar o que sente. Às vezes, nem ele mesmo sabe o que está sentindo.

E é aí que mora o perigo. Quando o sofrimento não encontra um caminho para se dizer, ele pode virar sintoma. Ou pior: pode virar ato. Um corte, um isolamento, uma tentativa de apagar a dor com o próprio corpo. O suicídio, nessa perspectiva, não é apenas um “desejo de morrer”, mas muitas vezes um grito por outra forma de viver ,quando a palavra já não dá conta.

Na psicanálise, a escuta não vem para julgar, nem para oferecer fórmulas. Ela se propõe a ser um espaço onde o que parecia impossível de ser dito pode começar a ganhar forma. Um lugar onde o adolescente, aos poucos, pode transformar o indizível em palavra. E isso, por si só, já é um gesto de vida.

Por isso, ao invés de perguntar “por que fez isso?”, talvez possamos perguntar “o que te faltou dizer?”. Porque há dores que não gritam , elas se calam. E é nesse silêncio que a escuta cuidadosa pode fazer toda a diferença.

Se você estiver passando por um momento difícil, não hesite em procurar ajuda.
Você pode conversar com alguém de forma gratuita, sigilosa e sem julgamentos, 24 horas por dia, pelo CVV (Centro de Valorização da Vida). Acesse www.cvv.org.br ou ligue para 188.

Texto: Erica Silva
Psicanalista 💛
Escuta e acolhimento


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